Ordinarily Perfect

Quero sair de noite olhar pro céu e ver estrelas, ter tempo pra ver como a lua é bela, observar pessoas, rir, chorar, pensar, viver, cantar, sentir. Preciso de um tempo, preciso me reencontrar em novos caminhos e preciso disso agora!

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"Eu não sou mais como antes. Eu mudei. O traço ficou mais rude, mais tosco e o cenário mais real, menos imaginário. Levei um choque de desesperança, mortifiquei os poros no ato da escrita, maltratei a chicotadas os sentimentos mais puros da minha estratosfera. A tinta está mais espessa, misturo nela a terra que se acumulou nos meus sapatos durante a caminhada. Rastros empilhados em pinceladas firmes e concentradas buscando a silhueta perfeita da mulher de seios errantes e face desintegrada. No fundo o horizonte do mar se desdobra indicando a rota para o infinito. Nas mãos, rosas despetaladas cobertas de sangue, um contraste catastrófico e fascinante. Os olhos vermelhos entupidos de álcool sobre a tela inquietos e desesperados choram o mundo desencantado e dilacerado. As pupilas estéreis dilatam as veias do coração. E não me resta nada, o que restou se explodiu, se foi, fui derrotada pela dor que se calou por um segundo. A respiração para e o pensamento esvaece. Mergulho na minha própria obra, dou um giro na tentativa de sumir. Depois de tempos fico sabendo que encontraram a minha alma presa naquela tela recostada na parede daquele quarto. Até hoje não sei se morri ou renasci. Eu só sei que eu não voltei mais ali."

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(Source: oxigenio-dapalavra, via chocolate-e-vodka)